Será ainda amor? Ainda sei amar?
As vezes me perco dentro dos sentimentos que permeiam o que considero amor. Tudo se torna mais difícil quando o referencial também foi perdido. Será que o que já senti era amor? Se for, resta a certeza de que ele não dura para sempre realmente ou ainda não amei verdadeiramente.
Talvez tenha durado tanto por se aproximar da primeira referência que tenho de relacionamento, onde a imagem de amor se confundia com tolerância, muitas vezes era apenas tolerância, daí vem tanta persistência.
Mas o que me deixa inquieto é a dúvida do que poderia ser, do que eu poderia ter e de que o que tenho é pouco e com pouco não sei viver.
Mais incompreensível é minha passividade diante de tudo, estou imóvel na esquina da minha vida sendo pressionado a tomar uma direção quando meu sentimento é de que não há direções para felicidade, ela é uma construção interna e meu interior se resume em "caos".
Voltando ao meu referencial, não duvido que toda aquela tolerância fosse verdadeiramente amor. Lembro dos olhares, do cuidado, ainda viam no outro talvez aquela pessoa que conheceram e viam pelo seu legado que tinha valido a pena. Mais uma vez me coloco em dúvidas: qual o nosso legado?
Tento, ninguém dirá que não.
Meu medo é que tudo não passe de ilusão, de uma criação minha, meu descontentamento conformado, meu guerreiro já cansado.
Segue, cegue, se ergue.