terça-feira, 5 de julho de 2016

Sem tema, apenas respiração.


Acordei ofegante, minhas lágrimas me afogavam num pesadelo do qual não conseguia sair. Tocava o ar e não podia respirar. Tudo muito denso, tudo muito tenso.
Levanta, acorda, me leva, suporta!
Não sou a luz a te iluminar, agora caminhe sozinho já que o destino foi o que escolheu. Se tropeçar não olhe para trás e não me procure mais. 
Estarei mais a frente, meu perfume ainda sente?
Cansei da beleza, cansei da sua tristeza e cansei de mim pensando em ti. Não quer amar, queres palmas, queimar almas, inquietude. Queria transformar tudo isso em música e poder assoprar de dentro tudo o que me impede de voar...
Olho meus pés e as raízes que vejo eu mesmo criei. Sou o porto, o cais seguro que enxerga ao final de cada aventura, de cada loucura.
Vá, se vá, se foi não volte para roubar a paz que custa chegar.

Acordei vibrante, as lágrimas secaram e os sonhos são renovados todos os dias. Pude respirar e aos poucos aprendo a voar e a direção já sei: 

Bem longe de mim quando penso em ti!

terça-feira, 12 de abril de 2016

Moreno, sereno, veneno...

Que me absorva, me engula, volte-me aos poucos
Aos berros, aos socos... Já que deu-me pouco e exige muito!
Então, que me faça de novo! Por tão pouco fui feito, não é mesmo? 
Se fui mal feito!? Perfeito!! Tudo que vocês nunca foram, bem mais.
Te incomodo demais por ser calado demais, inquieto demais dentro de ti. 
O que tem em mim que perdeu-se em ti? 
Sou tão sorriso, tão bobo, moreno, sereno, leve livre e solto!!
Eu balanço ao vento enquanto tu ergue a mão. 
Eu me viro se te espanta, não ligo não.
Então sigo, assim eu vivo, sou bem assim. 
Não chores por mim, já que me amas me deseje sorte!
Das boas, rumo ao norte, rumo ao nada e sem nada pois tenho tudo em mim.
(Escrevi esse trecho inspirado em um filho, sua mãe e a não aceitação. Em uma madrugada de um dia qualquer de Janeiro, ficou no meu celular até hoje)


segunda-feira, 28 de março de 2016

Vazio de mim, cheio de ti.

De tudo que fui, já nem sei
Me esvaziei do que fui para ser quem precisou
Me preenchi com você a ponto de me esquecer
Amei demais, passei do ponto e esse conto sabes como se desfaz.
E como saber que foi demais?
O amor pode ser demais? Mas ele não é sem limites?
Nunca, nunca é demais. É demais para quem é de menos.
Me enchi de você corpo volátil, fluído escorrendo entre meus dedos.
Esvaziou-me os sentimentos, esvaziou-me as esperanças
Pelos pensamentos, tormentos, andanças
Me vi criança a chorar numa cama de mágoas.
Sou alguém que não reconheço, esse que chama de eu,
quem já chamou de "meu" e hoje de nada.
Siga calada, tudo já foi dito.
Não permita que se torne maldito tudo que um dia foi meu tudo.
Me deixe nesse luto, me deixe no silêncio.
Me deixe, já não aguento, estou cheio de vazios.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Só por hoje

Mais uma vez vejo você ir, sair dos meus braços, sair sem abraço, sem se despedir.
Romper com todos esses sentimentos de forma tão repentina é tão drástico que me paralisou de tal forma que não me sinto, é tão grande o vazio do que retiramos de uma só vez, arrancamos pela raiz e tudo ficou em branco. Sobrou algo como dor e medo e raiva e falta de você que nunca tive.
Meu silêncio diz muito, grita por mim. Me ajude, me esqueça, me mude, me beija.
Dei o melhor de mim, mais do que tinha me dado, descobri alguém que nem sabia que era.
Tudo foi significativo e marcante, marcou na pele, na minha, na sua, sufocou como a mão na garganta e tirou meu ar pra me afogar de beijos quentes no chão do quarto.
Esquecer e recomeçar é um ato de coragem, mas sou guerreiro nessa selva, mais uma fera vencida!
Ninguém ganhou, todos perderam.
Agora tudo são lágrimas, daquelas que lavam a alma, inundam o coração.
Limpam, purificam, recriam, refazem.

Meu belo, só não acorde amanhã pois amanhã é outro dia, e não espero.