quinta-feira, 3 de abril de 2014

Não espere

Não espere por frases floridas, doces palavras, sutil despedida.
De uma vida de espinhos nada poderia esperar além de dor e isolamento. Não por falta de esforço em querer mudar, não por falta de consciência, não por falta de você. A dor de ser quem sou e a certeza da delícia que nunca serei. Observava a vida, comercial de margarina e que não seria a minha e me esquivava, me esgueirava, rastejava mas ela sempre me alcançava e me cobrava com toda ferocidade, por mais que gritasse que não, mas me sujeitava a ela e seu cruel julgamento.
Não preciso de você me apontando dedos, pois seus dedos ficaram marcados em minha face e mais ainda marcados em minha alma. Não adianta fechar os olhos que lá estará, mais vivo que nunca.
Orgulho é bixo esquisito, adormece diante de golpes terríveis, mas pode acordar ferido de morte com um simples arranhão.
Eu e minha mania, insisto, esgoto, sugo a última gota e deixo seco, morto.
Me sufoco de amor, me embriago, esbanjo, enjoo...
Não espere doces palavras nessa despedida, pois ela já aconteceu a muito tempo.
Agora só me resta seguir, sem olhar pra trás, não existe mais nada onde passei.

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